A dor é objeto de estudos científicos no mundo todo, tornando-se um constante desafio para médicos e profissionais que lidam com o problema. Por isso, cada vez mais eventos ligados a esta área da medicina têm servido de base para a troca de conhecimentos e informações, buscando avaliar o sofrimento humano e melhorar a qualidade de vida de inúmeras pessoas.

Embora seja sinônimo de sofrimento, a dor é importante por representar um alerta de que algo no organismo não está bem e pode comprometer a integridade física ou funcional do paciente.

Ela pode ser classificada em dois tipos:

  • Dor aguda: causada por um ferimento, traumatismo, um procedimento cirúrgico ou uma inflamação, que cessa num período curto (por exemplo: fratura de membro, cortes, queimaduras, apendicite, infarto do miocárdio e cólica renal);
  • Dor crônica: com duração contínua, por mais de três meses, ela exige cuidados constantes, pois tende a debilitar o paciente com o passar do tempo. De forma geral, ela não deriva de uma só causa, mas sim de vários fatores que interagem e favorecem o seu desenvolvimento, especialmente de doenças também crônicas.

No entanto, o conceito de a dor crônica ser “parceira inseparável e natural” de certas doenças deixou de ser aceito, uma vez que a medicina já disponibiliza recursos para o manejo dos mais diversos tipos de dor, desde a enxaqueca crônica e lombalgias, até doenças neurológicas e reumatológicas, como diabetes, lúpus, gota, neuralgia do trigêmeo, fibromialgia, dor pós herpética, câncer, e sequelas de procedimentos cirúrgicos e quimioterápicos.

Medindo a intensidade da dor:

Cada indivíduo sente e responde à dor conforme a sua tolerância, que deve sempre ser respeitada e tratada da forma que a relata. Por isso, os serviços de saúde inseriram nas atividades diagnósticas uma “escala de dor” em que o paciente expressa o seu nível de dor no momento do primeiro atendimento. A escala é importante também para analisar os resultados pós-tratamento, onde o paciente pontua se houve diminuição dos sintomas.

Como funciona: Por meio de uma faixa ou régua contendo números que vão de zero a dez, ou cores que vão de tons do mais claro ao mais escuro, o paciente aponta qual o grau de representatividade da sua dor. Para crianças existem versões ilustradas com “carinhas”, com expressões que vão do normal às caretas.

Tratamento da dor crônica:

Atualmente, o método predominante de tratamento da dor crônica no Brasil e no mundo ainda é unilateral, ou seja, prioriza o tratamento do sintoma doloroso por uma única via de indicação (só medicamentosa, só cirúrgica etc.), sem contemplar a integração das demais especialidades de apoio para a reabilitação física e emocional do paciente, o que é muito mais assertivo e eficiente.

Embora a dor crônica varie em função de suas causas (doenças de origem e afins) e do seu desenvolvimento em cada indivíduo, a linha básica de seu tratamento compreende diferentes tipos de analgésicos, anti-inflamatórios, corticoides, opioides e até antidepressivos e anticonvulsivantes, que nestes casos são prescritos por terem atuação específica no sistema imunossupressor da dor.

Em paralelo aos medicamentos, é importante contemplar terapias de reabilitação física ancoradas em fisioterapia, acupuntura e suas derivações, bem como apoio psicológico para o melhor enfrentamento da doença de base, dos sintomas dolorosos e de suas consequências funcionais no dia a dia do paciente.

Esgotadas todas as terapias de base, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos de diversos “modelos” – ablativos, neuroaumentativos, minimamente invasivos de acordo com a doença de base ou a região afetada pelo quadro de dor.  A seguir, algumas delas:

  • Bomba de infusão de opioides: Se dá pela inserção de um cateter (tubo fino e flexível) na coluna vertebral, conectado a um reservatório (bomba de analgésico), localizado abaixo da pele do abdômen. Esse dispositivo implantável envia medicação contra a dor diretamente ao fluido ao redor da coluna (líquor), aliviando o quadro doloroso. O procedimento é reversível e simples, e a liberação do analgésico ocorre continuamente, conforme a programação feita pelo médico. Ela pode ser indicada em diversos tipos de dor/doenças, mas especialmente para as resistentes aos tratamentos convencionais de lombalgia, fibromialgia, dor oncológica e dores neuropáticas em geral.
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