Uma equipe de cientistas afirma ter localizado a região do cérebro que faz com que o humano goste de crianças. Na presença de um pequenino, a área provocaria uma resposta imediata de cuidado e proteção nos adultos.
Segundo os pesquisadores, a descoberta pode ter aplicações na identificação de mulheres com risco de terem depressão pós-parto, sintoma que afeta quase 13% das mães no primeiro mês após o nascimento da criança.
Até agora, o carinho com crianças --e em geral o cuidado com os filhos-- tinha uma explicação darwinista e outra etológica.
A primeira, de Charles Darwin, explicava que se trata de um instinto desenvolvido evolutivamente para garantir a perpetuação da espécie. A segunda, do Nobel de Medicina de 1973, Konrad Lorenz, propunha que o rosto e as expressões das crianças eram estímulos que ativavam uma resposta que seria praticamente um reflexo.
Agora, um grupo de pediatras, neurologistas e psiquiatras da Universidade de Oxford, no Reino Unido, localizou, no córtex órbito-frontal médio, a região cerebral que é ativada ao se avistar uma criança.
Pesquisa
A velocidade com que a região do córtex cerebral é ativada --em apenas um sétimo de segundo-- indica aos cientistas que a reação não tem origem consciente ou cultural.
Os pesquisadores usaram a técnica de magnetoencefalografia para visualizar as áreas cerebrais que foram ativadas na presença de determinados estímulos --nesse caso, rostos de adultos e de crianças.
A região órbito-frontal do cérebro fica justamente atrás dos olhos e, antes do estudo, já se sabia que traumatismos nesse local e a baixa vascularização costumam resultar em hipersexualismo, diminuição da vida social, vício em jogos de azar, alcoolismo e dificuldade de empatia.
A pesquisa foi dirigida por Morten Kringelbach e Alan Stein, da Universidade de Oxford, e foi financiado pelo Wellcome Trust e TrygFonden Charitable Foundation.