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Para diminuir a dor

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Na escalada para livrar o paciente da dor oncológica entram três níveis de analgésicos, estímulo do sistema nervoso central e até cirurgia, mas profissionais ainda têm dificuldades em lidar com os sintomas

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que entre 60% e 80% dos pacientes adultos portadores de câncer, internados, sofrem de dor. Nos estágios intermediários da doença, as dores moderadas ou intensas estão presentes em 30% a 40% dos pacientes e, nas fases avançadas, em 87%. Em crianças, as dores estão presentes em 25% das consultas ambulatoriais, em 50% das consultas hospitalares, e em 80% dos procedimentos terapêuticos e diagnósticos.

Diante desse cenário, o maior desafio da oncologia é desenvolver tratamentos cada vez mais precisos, menos invasivos e adequados às especificidades de cada paciente. No entanto, mesmo as mais modernas técnicas de radioterapia ainda provocam dores. Para cuidar justamente desses sintomas é que trabalham os profissionais de departamentos especializados em dor oncológica.

Especialistas apontam três diferentes classes de dor oncológica: as diretamente relacionadas à evolução da doença, as secundárias ao tratamento, como as dores pós-operatória, pós-quimioterapia e pós-radioterapia ?, e aquelas de aspectos psicoafetivos associados a uma doença debilitante e progressiva (depressão).

Embora alguns centros oncológicos brasileiros já tenham se tornado referência no assunto, de um modo geral no Brasil ainda impera o despreparo em lidar com a dor oncológica, conforme afirma o chefe do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital Nove de Julho, Cláudio Corrêa. "A maioria dos oncologistas não sabe tratar a dor no paciente quando ela é de alta intensidade. Isso ocorre porque não há formação médica adequada. Somente em casos de dores de baixa e média intensidade é que eles fazem um cuidado aceitável com uso de analgésicos."

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a dor associada ao câncer é uma emergência médica mundial e estabeleceu normas para o tratamento, internacionalmente conhecidas e aceitas. Trata-se da farmacoterapia analgésica, baseada em uma escada de três degraus.

No primeiro degrau estão os analgésicos comuns e os antiinflamatórios não-hormonais, que devem ser usados no combate a dores de leve a moderada intensidade (de acordo com escala também prevista pela OMS). Drogas adjuvantes (que não têm indicação analgésica original, mas funcionam como tal) podem ser empregadas, como antidepressivos e protetores gástricos.

A terapia do segundo degrau entra em ação quando a dor aumenta ou é persistente ao tratamento do primeiro degrau. Nesses casos devem ser adicionados medicamentos opiáceos fracos (à base de ópio), como a codeína e o tramadol. Se ainda assim a dor persistir ou aumentar, chega-se ao terceiro degrau, com a adição de opiáceos fortes (como morfina e metadona e, se o caso exigir, até a oxicodona, duas vezes mais potente que o sulfato de morfina) no lugar dos fracos, mantendo-se o esquema do primeiro degrau.

Procedimentos invasivos

Outro método de tratar a dor é baseado em procedimentos invasivos, divididos em duas classes: os ablativos ? em que é realizada deliberadamente uma lesão no sistema nervoso central ou periférico com a intenção de obter analgesia ? e os não ablativos ? em que o alívio da dor é obtido com a preservação do sistema nervoso.

Entre os não ablativos estão os bloqueios anestésicos, a neuroestimulação com geradores externos ou internos implantáveis (marca-passos em nervos periféricos, medulares ou cerebrais) e o implante de dispositivos ou sistemas de liberação de medicamentos no sistema nervoso.

De acordo com Oliveira Júnior, cada vez menos pacientes são sedados no final de sua vida pela falta de controle da dor. "Hoje isso ocorre em apenas 0,15% dos casos. Além disso, a farmacoterapia analgésica sozinha consegue um controle das dores em mais de 95% dos casos."

Terapias complementares

Fitoterapia, moxa, acupuntura, mesoterapia e homeopatia, são alguns exemplos de tratamentos complementares que, embora originalmente utilizados para aliviar efeitos colaterais como náuseas e vômitos, vêm sendo usados no combate à dor. Mas o assunto é controverso.

"Em hipótese alguma aceito a acupuntura e as outras terapias alternativas para dor oncológica. Ela é apenas uma auxiliar de tratamentos exclusivamente contra dores miofaciais (dor muscular localizada com redução da amplitude dos movimentos, sendo mais freqüente na cabeça, pescoço, ombros, braços, pernas e região lombar)", afirma Cláudio Corrêa, especialista do Hospital Nove de Julho.

Tese de doutorado do ortopedista Wu Tu Chung, do Departamento de Cirurgia Pélvica do Hospital A.C.Camargo, demonstrou que a acupuntura diminui náusea e vômito em pacientes submetidas a quimioterapia para tratar câncer de mama.

  • Fitoterapia ? tratamento à base de ervas medicinais.

  • Acupuntura ? estímulo de pontos com uso de agulhas para restabelecer o equilíbrio.

  • Moxa ? uso medicinal da folha de artemísia.

  • Mesoterapia ? injeções de doses mínimas de medicamentos dadas com agulhas muito finais o mais próximo possível do local da dor.

  • Homeopatia ? método terapêutico que consiste em prescrever a um doente, sob uma forma muito diluída, uma substância capaz de produzir efeitos semelhantes ao que ele ? paciente ? apresenta.

Procedimentos neurocirúrgicos

  • Cordotomia ? lesão unilateral de regiões específicas da medula espinhal para interromper a chegada das informações de dor ao cérebro. Indicada para dor unilateral em geral abaixo do mamilo, em pacientes terminais, dados os riscos de disfunção motora, urinária ou piora da dor.

  • Mielotomia ? também consiste em lesão da medula espinhal, indicada para quadros de dor em região pélvica ou membros inferiores. Tem os mesmos riscos da cordotomia.

  • Lesões estereotáxicas ? atingem centros cerebrais de controle ou modulação da dor, reduzindo o componente da dor. Um exemplo é a talamotomia (para dor em cabeça, face e pescoço).

  • Neurotomia ? lesões em nervos, determinadas por cirurgia a céu aberto ou percutânea (através da pele, sem incisões). Um exemplo é a rizotomia percutânea do músculo trigêmeo por radiofreqüência para tratamento da dor em territórios específicos da face (dor trigeminal).

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