A dor tem sido objeto de estudos científicos no mundo todo, tornando-se um constante desafio...
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A maioria das pessoas que precisam se submeter a uma cirurgia temem sentir muitas dores após o procedimento. Imaginam que a dor é inevitável e que faz parte da cirurgia, inclusive por conceitos arraigados de que quanto maior for a cirurgia, maior e mais duradoura deverá ser a sua dor.

A dor que as pessoas sentem após se submeterem a uma cirurgia é a chamada dor aguda, resultante do traumatismo do local operado. É o mesmo tipo de dor que ocorre quando, por exemplo, torcemos o pé ou queimamos um dedo. Ela surge como conseqüência da lesão dos tecidos e da inflamação que se segue ao traumatismo.
Vários fatores contribuem para que a dor pós-operatória seja maior ou menor, como o tamanho da incisão cirúrgica, localização, estado emocional e idade do paciente.

Atualmente, graças ao advento de novas técnicas e analgésicos, o pós-operatório tende a ser bem mais tranqüilo. A analgesia - que é o alívio da dor - é planejada cuidadosamente visando proporcionar o melhor conforto possível para o paciente.  E esse planejamento começa pela escolha do tipo de anestesia que será administrada e também pela administração prévia de medicamentos que irão diminuir a inflamação e dor no pós-operatório.

Além disso, a analgesia pós-operatória é adequada aos diversos tipos de operações e ao perfil do paciente, pois o mesmo esquema terapêutico, aplicado sempre da mesma forma, tende a apresentar falhas em boa parte dos pacientes.

Na década passada começaram a surgir os Serviços de Dor Aguda com a finalidade de tratar melhor a dor dos pacientes. São formados por médicos e enfermeiros especialmente treinados para atuar nos casos mais difíceis, nos quais o tratamento da dor é um desafio ao mais experiente dos médicos. Essas equipes ficam disponíveis todo o tempo e sempre que são solicitadas pelo cirurgião oferecem ao paciente o que há de mais moderno e mais adequado para o seu caso em particular, procurando dar-lhe o conforto e a segurança de uma boa analgesia.

Em muitos casos, é particularmente útil o emprego da bomba de PCA (Patient Controlled Analgesia – Analgesia Controlada pelo Paciente), dispositivo portátil que é colocado no quarto do paciente para que ele mesmo auto-administre o seu analgésico, quantas vezes o desejar.

Como a PCA funciona?

A PCA é um sistema seguro que permite ao paciente controlar a quantidade de medicação, de acordo com as suas necessidades, colaborando com o processo de recuperação. Sem o medo da dor, o paciente se sente menos ansioso e capaz de relaxar mais facilmente, tornando-se psicologicamente mais ativo.

Trata-se de uma bomba computadorizada, conectada a um soro, com a medicação administrada pela veia. O aparelho fica ao alcance do paciente, que o ativa apertando um botão que libera a medicação para a dor. 

Embora o uso da bomba de PCA não livre o paciente de toda a dor, as doses pequenas e freqüentes da medicação oferecem o alivio adequado, deixando a dor em um nível bem tolerável.

Proteção contra overdose

Para que não ocorra overdose, uma enfermeira ajusta a bomba aos parâmetros prescritos pelo médico, que por sua vez analisa todos os parâmetros da bomba de modo que a possibilidade de ultrapassar a quantidade necessária de medicação seja minimizada.

Existem várias formas de administrar a medicação, sendo que em uma delas o remédio é liberado de forma contínua, através de uma taxa fixa em ML por hora. O paciente pode interferir solicitando doses adicionais quando sentir que necessita, mas há uma faixa limite.

Outra forma de administração é pelo recebimento da medicação apenas quando o paciente solicitar e pelo qual o programa da bomba espera - após cada dose - alguns minutos até que nova dose seja permitida de ser administrada, preservando a segurança do paciente.

O uso da PCA vem sendo aplicado em nível mundial há alguns anos e tem contribuído bastante para uma recuperação mais rápida dos pacientes, com conseqüente diminuição de sua permanência nos hospitais.

Caso necessite passar por uma intervenção cirúrgica, converse com seu médico a respeito da analgesia pós-operatória. Ela certamente irá lhe proporcionar mais segurança e conforto neste momento

Dr. Valberto de Oliveira Cavalcante
Anestesiologista e Clínico da dor do Centro de Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho

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