A dor tem sido objeto de estudos científicos no mundo todo, tornando-se um constante desafio...
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Segundo o Censo Demográfico dos Estados Unidos, a porcentagem de pessoas com mais de 65 anos nos países desenvolvidos deve subir de 17,5% para 36,5% até o ano de 2050. E a população acima dos 80 anos triplicará no mesmo período. Estes dados nos fazem refletir sobre a qualidade do indivíduo ao amadurecer, visto que mais importante do que viver mais tempo, é viver plenamente.

Em decorrência disso, a IASP (International Association for the Study of Pain) elegeu 2006 como o ano da Dor no Idoso, seguindo sua campanha mundial cujo lema é difundir o alívio da Dor como um direito de todo cidadão

Comum em qualquer faixa etária, classe social ou sexo, a Dor na terceira idade tem o seu grau e ocorrência mais elevados em virtude do surgimento de doenças crônicas diversas. Ela afeta mais de 50% dos idosos, no mundo todo, com intensidade de moderada a intensa. Infelizmente, grande parte dos profissionais não atende às queixas de Dor de seus pacientes, levando-os a acreditar que é uma conseqüência irreversível do seu quadro e isso só faz piorar o problema, comprometendo a qualidade de vida do indivíduo. A Dor no idoso, e não só a doença que a remete, deve ser tratada em primeira instância.

Porém, justamente por estar associada a outras patologias, onde alguns medicamentos já estão sendo administrados, faz-se necessário uma terapêutica diferenciada e cuidadosa para que esta não traga outros tipos de problemas ao idoso, como descompensações da pressão arterial/coronariana, entre outras. 

Outro fator importante a observar é que nessa faixa etária também é comum o aumento da depressão, especialmente para os idosos que não conseguem manter uma vida independente e produtiva. Assim, a correlação das doenças com a Dor se torna um ciclo vicioso onde nem sempre é possível identificar onde começa um problema e termina outro.

Para isso, os medicamentos de última geração para tratar a Dor crônica agem também na depressão e vice-versa. A inserção de terapias multiprofissionais também tem sido outro componente essencial, ao trabalhar o lado físico e mental do paciente com estímulos importantes para a manutenção do seu corpo e intelecto.

A medicina que não cuida da Dor do paciente por simplesmente acreditar que esta é uma mera conseqüência da doença que o acomete está defasada. Tratar a Dor é um dever de todo profissional de saúde e, como bem prega o IASP, um direito de todo paciente.

Dr. Cláudio Fernandes Corrêa
Coordenador do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional
do Hospital 9 de Julho.
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