A dor tem sido objeto de estudos científicos no mundo todo, tornando-se um constante desafio...
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O uso do Biofeedback concretiza-se no Brasil comoum dos métodos psicofísicos para o tratamento de algumas doenças, por meio da modificação de funções corporais internas com grande sensibilidade e precisão. Embora possa parecer novidade a técnica já é bastante consagrada há pelo menos 20 anos nos EUA e Europa, tornando-se agora mais acessível à população brasileira.

Mas o que é o Biofeedback? Trata-se de uma técnica de treinamento na qual o indivíduo aprende a melhorar sua condição de saúde usando “dicas” de seu próprio corpo. Picos de sinais elétricos, como os musculares e térmicos, são “traduzidos para imagens e/ou sons em um programa de computador e toda vez que um “gatilho”, como a tensão muscular, é “ativado” o doente pode controlá-lo.

Essa estratégia propicia a melhora da aprendizagem por associação, entre sensações e tensões, promovendo o desenvolvimento de um novo hábito, mais saudável. Depois do tratamento, o padrão de resposta mantém-se, mesmo sem a ativação do “gatilho” ativador, disparados pela ansiedade, dor ou hipertensão arterial, entre alguns exemplos. Pesquisas vêm, dia a dia, revelando que a aprendizagem obtida pelo processo involuntário tem eficácia e efetividade mais vantajosas que outras técnicas, tanto para os sistemas de saúde, como para os serviços assistências e, principalmente, para os doentes.

Com aplicação tanto em adultos quanto em crianças, o Biofeedback evidenciou resultados efetivos a longo prazo por até 15 anos.

O Consensus da Agency for Health Care Policy and Research cita o Biofeedback como tratamento primário para incontinência urinária, condição que afeta 30 % dos idosos independentes, e cerca de 50% dos pacientes que necessitam de cuidados paliativos a longo prazo por condição crônica decorrente de esclerose múltipla, distrofia muscular ou lupus eritematoso, assim como, acidente vascular cerebral (AVC) e prostatectomia.

Cerca 80% dos indivíduos com hipertensão arterial essencial que se submeteram ao treinamento com Biofeedback, relataram que reduziram o uso da medicação.

A American Association for Headache alega que o Biofeedback é o tratamento aceito para o alívio da cefaléia, especialmente a tensional.

Mais de 700 grupos no mundo utilizam a técnica do biofeedback (denominada Neurofeedback) para o tratamento de Déficits Atencionais (ADD/ADHD - Attention Deficit Hyperactive Disorder). Os doentes têm relatado significativa melhora (60-80%) na condição de saúde e com mais adesão para o uso da medicação adequada.

O tratamento através do Biofeedback envolve uma série de sessões regulares no período de poucas semanas. Para alguns casos, 10 a 15 sessões, e para outros, como a reabilitação de situações mais complexas, de 40 a 50 sessões.

O Biofeedback também permite um trabalho psicológico mais rápido e eficiente. Em pacientes de diversas idades foi notadamente perceptível a mudança quando comparados a métodos de psicoterapias habituais. A técnica pode ser utilizada conjuntamente com a psicoterapia.

Através de pesquisas clínicas e suas aplicações, o Biofeedback tem sido amplamente utilizado, em especial nos EUA e na Europa, como técnica que produz extensas aplicações para várias modalidades de tratamento em diferentes condições médicas, como transtornos de ansiedade, cefaléias, enxaquecas, disfunções do sistema digestivo, incontinência urinária, hipertensão arterial, arritmias cardíacas, problemas circulatórios (Doença de Raynauld), depressão, epilepsia, técnicas de manejo do estresse, entre outros.

Em uma pesquisa que realizamos no Brasil, testamos a efetividade da técnicaem um grupo de doentes com enxaqueca e o método evidenciou a melhora da dor e da qualidade de vida geral dos doentes, permitindo que os mesmos pudessem manejar sua condição dolorosa independentemente de outras alternativas.

Outro estudo desenvolvido foi sobre a aplicação do Biofeedback em pessoas que se submetiam simultaneamente à psicanálise clássica (com psicanalista independente). Os resultados mostraram que o método da psicanálise tornou-se mais efetivo porque ao trabalhar as funções executivas através dos estímulos de sinais eletroencefalográficos com o neurofeedback os pacientes puderam produzir novas respostas, melhorando assim a capacidade para representação simbólica e auto-regulação dos processos psíquicos.

O trabalho foi apresentado no 11th Annual Meeting of Biofeedback Foundation of Europe, que ocorreu em Berlim, entre 27 de fevereiro e 3 de março de 2007, sendo o único a tratar do tema.

No mesmo evento foram apresentados trabalhos com o Biofeedback para a melhora de performance de atletas, como o realizado por B. De Michelis, PhD, da Universidade de Siena, Itália que apresentou programa de treinamento de seu trabalho com o Milan Futebol Clube, em que os atletas submeteram-se ao Biofeedback objetivando o ajuste entre o desempenho físico e psíquico.

Vários trabalhos foram de interesse e campo de estudo bastante vasto, como o do Prof. Daniel Hamiel PhD de Tel-Aviv Mental Health Center, em Israel com seu magnífico tema “Do trauma à saúde – o uso do biofeedback e técnicas de manejo do estresse em refugiados durante o conflito de 2006 entre Israel e Líbano”.

Já o Prof. Frank Andrasik, PhD da West Florida University, deu curso sobre tratamento de cefaléia e dor através do Biofeedback e o Prof. Bernard Brucker, PhD também da Flórida, sobre o “Biofeedback e Neurofeedback como base da neurosplasticidade e seu papel crítico na reabilitação do sistema nervoso central”.

Como se vê, as alternativas e oportunidades para o reequilibrio e recuperação da saúde por meio do Biofeedback são bastante amplas e sua efetividade mais que consolidada.

Dirce Navas Perissinotti
Doutora e Mestra em Ciências (área de concentração Neurologia) pela FMUSP

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