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Aneurismas são dilatações das artérias do corpo, sendo comuns nos vasos cerebrais. Essas dilatações crescem com o passar dos anos e, tendo paredes fracas, podem sangrar, dependendo de diversos fatores como a idade, raça, hipertensão arterial, tabagismo e alcoolismo. O sangramento dos aneurismas cerebrais ocorre no espaço subaracnóideo das meninges, razão pela qual é denominado hemorragia subaracnóidea ou meníngea.

Segundo dados coletados pela Clínica Mayo, os aneurismas cerebrais podem estar presentes entre 1 a 8 % dos seres humanos e, embora não saibamos exatamente quantos, uma parte dessas pessoas irá sofrer sangramento em algum momento de suas vidas.

Para se ter uma idéia do quão isso é freqüente, constituindo um sério problema de saúde pública, estima-se que ocorram 30 mil casos de hemorragia meníngea por ano na população dos Estados Unidos, o que equivale a uma incidência de 10 a 15 por 100 mil habitantes. É provável que no Brasil os dados sejam semelhantes.

Cerca de 80% desses eventos são provocados pelo sangramento de aneurismas e os restantes podem ser causados por alterações da coagulação sanguínea, hipertensão arterial isolada, angiomas cerebrais, tumores, infecções e vasculites cerebrais.

A hemorragia meníngea é um quadro grave e de riscos que necessita de atendimento médico imediato e hospitalização. Quase sempre os sintomas são dor de cabeça súbita e intensa, ridigez da nuca, náuseas e vômitos. Pode ocorrer ainda sonolência, convulsões e, às vezes, perda da consciência. Em raras ocasiões ocorre morte súbita pelo sangramento inicial.

É importante que o doente ou seus familiares reconheçam logo o problema e se dirijam imediatamente a um pronto-socorro. O diagnostico, de um modo geral, é facilmente suspeitado pelo médico e será confirmado pelo exame de tomografia computadorizada do crânio, que mostrará o sangue nas meninges.

Se houver dúvidas, ou se o local não se dispuser de tomografia, pode ser feito um exame do líquido cefalorraquiano (liquor), através de uma punção suboccipital ou lombar, que evidenciará a existência de sangue.

Entretanto, a presença de aneurisma só será confirmada pela execução do exame de angiografia cerebral por cateterismo, que consiste na introdução de um cateter pela artéria femoral até os vasos que irrigam o cérebro. Injeta-se um contraste e se fazem radiografias que mostram a origem do sangramento. Atualmente, há exames menos agressivos, como a angiografia por ressonância magnética e a angiotomografia, que ainda apresentam falhas diagnósticas para aneurismas muito pequenos.

Existindo o problema, o aneurisma cerebral sempre deverá ser ocluído, pois pode tornar a sangrar com riscos cada vez maiores. Isto é feito normalmente através de uma microcirurgia em que se coloca um “clipe” metálico no colo ou “pescoço” do aneurisma. Recentemente foram desenvolvidos métodos de tratamento endovascular, sem que se precise abrir o crânio.

Por meio de um cateter introduzido pela artéria femoral, são colocados micro balões ou “coils” (molas descartáveis) que “entopem” e ocluem o aneurisma. A decisão quanto ao melhor tipo de tratamento deve ser feita pelo neurologista ou pelo cirurgião responsável pelo paciente, já que muitos aneurismas não podem ser tratados por via endovascular.

Ás vezes, os aneurismas são descobertos acidentalmente antes de provocarem um sangramento. Nesses casos, a conduta é operá-los, na medida do possível.

Infelizmente, o sangramento não é o único problema dos aneurismas cerebrais. Uma das complicações mais graves é o vasoespasmo, uma disfunção que aparece após alguns dias de sangramento e consiste num estreitamento dos vasos próximos ao aneurisma, levando à isquemia dos tecidos cerebrais. O problema pode provocar diversos sintomas deletérios para o pacientes. Outra complicação possível é a dilatação dos ventrículos cerebrais denominada de hidrocefalia, que pode requerer tratamento cirúrgico.

É importante que todas as pessoas tenham conhecimento da existência dessa doença, pois o sangramento do aneurisma ocorre quase sempre em indivíduos que foram até então saudáveis e assintomáticos. Já que pouco podemos preveni-los é necessário que possamos reconhecer os sintomas o mais rápido possível para não retardar a procura por assistência médica. O atendimento precoce é primordial para uma boa evolução dos pacientes.

Dr Antonio Cezar Ribeiro Galvão Neurologista do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho

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